
A história de Itaperuna RJ acompanha a ocupação do vale do Carangola, a expansão da agricultura, a chegada da ferrovia e a formação de distritos que mantêm identidades próprias. Conhecer essa trajetória ajuda a entender por que o município se tornou uma das principais referências urbanas do Noroeste Fluminense.
O início da ocupação do território
Documentos públicos municipais situam o início da colonização do atual território de Itaperuna nas primeiras décadas do século XIX. Uma das narrativas mais citadas registra a presença de José Lannes, também mencionado como Lana, Dantas Brandão na localidade de Porto Alegre por volta de 1833.
Nos anos seguintes, a circulação de famílias, a transferência de terras e a busca por recursos naturais ampliaram a ocupação às margens do rio Carangola e de seus afluentes. Caminhos foram abertos para ligar fazendas, pequenos núcleos e áreas de exploração.
A agricultura e a formação econômica
A economia rural foi decisiva para o desenvolvimento local. Ao longo do século XIX, propriedades agrícolas se espalharam pela região e o café ganhou importância. A produção precisava chegar aos centros compradores, o que estimulou a melhoria das rotas de transporte e a aproximação entre povoados.
Com o tempo, outras atividades também passaram a ocupar espaço, entre elas a pecuária e diferentes cultivos. Essa diversidade ajudou o município a atravessar mudanças econômicas e deixou marcas na paisagem, nas festas tradicionais e na memória das comunidades rurais.
Da vila à cidade de Itaperuna
Em 1885, o governo provincial criou um município na região ao elevar a freguesia de Nossa Senhora da Natividade à categoria de vila, com a denominação de Itaperuna. Em 1889, a localidade foi elevada à condição de cidade. A organização territorial ainda passaria por diversas alterações, com distritos sendo agregados, desmembrados ou reorganizados.
Registros municipais relacionam o nome Itaperuna a uma expressão de origem indígena interpretada como “pedra preta” ou “tapir preto”. A explicação tradicional faz referência à chamada Pedra do Elefante, hoje situada no território de Porciúncula.
A ferrovia e o crescimento urbano
A chegada dos trilhos fortaleceu a conexão da região com outros centros. A ferrovia facilitou o escoamento da produção agrícola, o transporte de passageiros e a circulação de mercadorias. Em torno das estações, cresceram atividades comerciais e serviços ligados à vida urbana.
As antigas construções ferroviárias conservadas no município são documentos arquitetônicos dessa fase. Segundo o portal Turismo RJ, duas estações foram restauradas em 2008, preservando características do período em que foram construídas.
Os distritos e a diversidade municipal
Em 1944, Itaperuna era formado por sete distritos: a sede, Boa Ventura, Comendador Venâncio, Itajara, Nossa Senhora da Penha, Raposo e Retiro do Muriaé. A composição atual é resultado de uma história de reorganizações administrativas e emancipações ocorridas no Noroeste Fluminense.
Cada distrito preserva referências próprias. Raposo se destaca pelas águas minerais e pela tradição hoteleira; Aré mantém sua ligação com a produção rural e com o Festival do Milho; outras comunidades guardam festas religiosas, paisagens e modos de vida que ampliam a identidade itaperunense.
Patrimônio religioso e símbolos da cidade
A Matriz São José do Avahy é uma das referências arquitetônicas do centro. Inaugurada em 1956 e ampliada em 1973, a igreja possui duas escadarias frontais, uma gruta dedicada a Nossa Senhora de Lourdes e um painel de azulejos com a imagem de São José.
Outro símbolo é o Cristo Redentor no Morro do Castelo. O monumento foi inaugurado em 1966 e possui 20 metros de altura. Mais do que um mirante, ele representa uma fase de consolidação da paisagem urbana e permanece associado à imagem da cidade.
Itaperuna como centro regional
Ao longo do século XX, Itaperuna ampliou sua presença nas áreas de comércio, educação, saúde e prestação de serviços. Moradores de diferentes municípios passaram a se deslocar até a cidade para estudar, trabalhar, fazer compras e buscar atendimento especializado.
Esse papel regional não elimina as raízes rurais. Ao contrário, a história de Itaperuna é marcada pela convivência entre o centro urbano, os distritos, as propriedades agrícolas e as rotas que conectam o Rio de Janeiro a Minas Gerais e ao Espírito Santo.
Por que preservar essa memória

Estações, igrejas, fazendas, documentos, fotografias familiares e relatos de moradores permitem reconstruir partes da trajetória municipal. Preservar esses registros ajuda novas gerações a compreender as transformações do território e valoriza personagens que nem sempre aparecem nos relatos mais conhecidos.
A história de Itaperuna continua sendo escrita. Cada bairro e distrito acrescenta experiências à narrativa de uma cidade que cresceu sem perder completamente os vínculos com o campo, os rios e as antigas rotas do Noroeste Fluminense.
Fontes consultadas
Reportagem produzida com base no Plano Municipal de Gestão Integrada de Itaperuna, no Portal Turismo RJ e no panorama municipal do IBGE.


